Horta em casa · Lixo zero

Vamos falar sobre compostagem?

Quando eu me mudei para o sítio, eu era a ansiedade em pessoa para montar hortas e mais hortas, mas com pouco tempo eu aprendi que a vida aqui era muito mais do que isso. As árvores e outras plantas precisam ser manejadas, cuidadas, podadas. Elas se renovam periodicamente produzindo muita folha seca. E na época dos frutos, se o cuidado não for redobrado, a população de moscas e insetos locais cresce, por ter muito alimento.

E foi numa loucura de ter três mangueiras lotadas de mangas, e muitas delas se estragando, que nasceu a primeira composteira daqui (hoje são cinco), feita de pallets. Essa primeira composteira recebeu as mangas que se espalhavam pelo chão, muita folha seca, restos da cozinha de cascas de verduras e frutas. Como na época eu sabia pouco sobre o assunto, acabou que demorou mais tempo do que devia para o composto ficar pronto, mas serviu de experiência para as composteiras seguintes.

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Mudinhas de açafrão com cobertura de palha de coqueiro triturada

Como funciona a compostagem?

Na compostagem, os fungos e bactérias fofinhos degradam toda a matéria orgânica, resultando um composto rico em nutrientes para as plantinhas. E é ela que te proporciona o aproveitamento de pelo menos 40% de todo o lixo produzido na sua casa. Sim, eu vi o meu lixo semanal diminuir quase pela metade como um passe de mágica.

A sua composteira pode ser feita de baldes plásticos, comprada na internet (tem vários sites que vendem umas bem bonitas) ou pode ser apenas uma pilha no seu quintal. Em apartamentos é melhor usar composteiras menores e que usem minhocas para acelerar o processo. No quintal, você pode optar por não usar minhocas e fazer a composteira no chão. Aqui no sítio, as composteiras são feitas no chão e tem uma variedade enorme de pequenos animais que vem ajudar no processo de compostagem, de todas as cores e tamanhos. As minhocas aparecem sempre no final do processo pra se alimentar, elas tem gostado tanto do trabalho de recuperação do solo que estamos fazendo por aqui que é fácil achar elas por toda a horta. O mais importante é que são todas livres para ir e vir na hora que quiserem e por isso, um bom indicador de solo fértil.

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As primeiras composteiras ninguém nunca esquece

Ingredientes para uma boa compostagem

Uma boa proporção de materiais para a sua compostagem é: uma parte de material fresco (nitrogênio) para 2 ou 3 partes de material seco (carbono). O material fresco são os restos e cascas de frutas, verduras e legumes, sachês de chá, borra e filtro de café e casca de ovos (se você consumir). Aqui em casa, nós não tomamos café, então acabo trazendo a borra de café lá do escritório. O material seco são folhas secas, raspa de madeira.

Os restos de poda de plantas também podem ser acrescentados na composteira (no caso de composteiras maiores) e poda de grama (para todos os tamanhos de composteira). Aqui no sítio, usamos poda de grama (do vizinho) para cobrir os canteiros e o que sobra vai para a compostagem.

Outros dois ingredientes importantíssimos são oxigênio e água. Sim, sua composteira precisa “respirar” para que o processo realizado pelas bactérias e fungos funcione direitinho. E ela deve estar sempre úmida para acelerar o processo.

Não coloque na sua composteira restos de comida cozida e oleosa, nem restos animais (carne ou leite/iogurte) e evite frutas cítricas. Se a sua compostagem for feita no chão, dá para acrescentar um pouco de cascas de frutas cítricas, mas sem exagero.

Quando terminar de montar sua pilha, a última camada deve ser de material seco, para evitar incidência de moscas.

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Folhas em processo de decomposição

E depois da pilha montada?

Verifique sempre se a sua pilha está úmida. Se estiver muito seca, acrescente um pouco de água, mas tenha cuidado para não encharcar a pilha, pois água de mais ou de menos desaceleram o processo.

Revire e misture sua pilha pelo menos uma vez por semana. No auge da compostagem, sua pilha pode chegar até a 70ºC e revirar ajuda a aerar, misturar os materiais e distribuir melhor o calor.

Dependendo do tipo e dos materiais que forem adicionados na sua composteira e da quantidade de água, o processo pode durar de 20 dias até alguns meses. Se a sua composteira usar minhocas, elas vão começar o trabalho delas quando o calor da pilha começar a diminuir. Aqui no sítio, o composto é revirado semanalmente e fica pronto numa média de 30 dias.

Você vai saber quando o composto estiver pronto, quando ele for uma terra escura e uniforme. Para adubar as plantas, coloque uma camada de 2 a 3 centímetros de composto no “pé” da planta. Com as regas (ou chuva), os nutrientes irão penetrar no solo e serão absorvidos pelas raízes.

Se você usar composteiras de baldes ou aquelas bonitonas que são vendidas pela internet, você vai poder coletar o chorume, que é um biofertilizante maravilhoso. Dilua ele na proporção de 1 parte de chorume para 10 partes de água e borrife nas suas plantinhas.

Para montar sua composteira gastando pouco dinheiro, dá uma olhada nesse post do Ciclo Vivo: Aprenda a fazer uma composteira caseira

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Horta em casa · Lixo zero

E chegou o dezembro…

Chegou dezembro, o último mês do ano, de confraternizações, festas natalinas, presentes…e muito lixo e desperdício.

Você sabe quanto lixo você produz? Eu te digo que não, porque eu não sabia o tanto de lixo que eu produzia (eu jurava que era pouco) até me mudar aqui para o sítio. Aqui não tem coleta de lixo, as pessoas juntam uma montanha de lixo numa rua aqui perto e vez por outra vem um caminhão pra recolher. Em alguns bairros, a situação é pior: eles queimam o lixo porque não passa nenhum caminhão para recolher. Por mais absurdo que isso pareça, essa é a realidade de muitas cidades brasileiras.

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Folhas trituradas para compostagem. Nenhuma vai pro lixo

Morando aqui, só tínhamos duas escolhas: fazer como todo mundo faz, ou começar a cuidar do nosso próprio lixo. E por mais que o vizinho da frente ache engraçado demais e uma perca de tempo, a gente resolveu cuidar do nosso lixo. Para os restos de comida, temos uma composteira, várias sacolinhas de tecido para diversos tamanhos de compras (da farmácia, até o supermercado), mas o maior desafio é se livrar totalmente do plástico. Parece que ele está em tudo!

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Composteiras de pallets

E chegou o lindo do dezembro: amigo secreto, festinha da empresa, natal da família, natal dos sem-família, ano novo, copo plástico, prato plástico, papel de presente, sacolas e mais sacolas, caixas, brinquedos de plástico, plástico, plástico….um pandemônio. Enquanto a gente não presta atenção no que consumimos, os aterros das cidades não comportam mais a quantidade de lixo que gerados, os lençóis d’água estão poluídos, os oceanos estão se transformando em uma sopa de plástico. É hora de mudarmos de atitude!

Hoje eu recebi um e-mail muito legal da Rafa Cappai, sobre presente com significado, e eu passo a ideia adiante, lançando um desafio para esse final de ano: vamos dar presentes com significado?

Presenteie com recompensas de crowdfunding, presenteie com uma experiência (pode ser  uma viagem, um passeio no parque, trilha, banho de cachoeira), presenteie com livros, cursos, workshops ou até com um serviço que você acha que a pessoa vai amar. Faça algo com suas próprias mãos, escreva uma carta, uma poesia, uma música. Compre do comércio local, direto do ateliê/loja do artista, compre de pequenos negócios que você conhece os donos, faça uma doação para uma causa social ou animal. Esqueça a cafeteira da moda com aquelas cápsulas horrorosas que não podem ser recicladas.

E aí, o que você acha desse desafio? Me conta como você pretende participar.

Horta em casa · Receitas

Dos prazeres da vida…

Nossa, como o tempo passa rápido! Faz seis meses que eu saí de Fortaleza e vim pro meio do mato (vim morar num sítio) e essa foi uma das decisões mais felizes da minha vida. Para algumas pessoas, eu perdi o juízo, mas é que sou do tipo de pessoa que troca fácil “morar perto do shopping” por “morar perto do Parque Botânico do Ceará com direito a acordar com o canto dos passarinhos”. Eu abandonei a “cultura do sucesso” pela “cultura de fazer a minha própria felicidade” e tem sido maravilhoso.

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No sítio, o trabalho nunca tem fim, mas devagarinho as coisas vão tomando forma. Uma horta pequena vai dando espaço para uma maior, você arruma aquele cantinho pra colocar uma cadeira de balanço no fim da tarde, tem frutas frescas e orgânicas no quintal de casa, cuida da terra, fica com raiva da sujeira dos 4 pés de jambo e depois morta de feliz com a quantidade de jambo que vai comer.

São pequenos prazeres que todo dia vão preenchendo dentro de mim a necessidade de me conectar com a terra, de andar de pé descalço, sujar a mão de terra. E outra coisa que acontece, é que cozinhar agora tem outro sentimento, dá vontade de testar coisas e sabores novos, de dar novos sentidos para a comida.

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Claro que nem só de salada e fruta a gente vive, tem um dia ou outro que dá vontade de ograr e fazer gordices. E a receita de hoje é em homenagem a esses dias prazerosos: Panqueca!

Ingredientes

2 xícaras de chá de farinha de trigo sem fermento

3 colheres de sopa de açúcar (uso o demerara)

3 colheres de sopa de fermento químico em pó

1 colher de chá de sal

2 xícaras de chá de leite vegetal

3 colheres de sopa de óleo (recomendo girassol ou coco)

 

Modo de fazer

Bata todos os ingredientes no liquidificador, acrescentando a farinha aos poucos e por último. Aqueça uma frigideira anti-aderente com um fio de óleo e coloque uma porção da massa. Quando ela começar a escurecer nas bordas, vire com ajuda de uma espátula grande e deixe cozinhar do outro lado.

Sirva com geleias, manteiga de amendoim, frutas frescas ou o que mais a sua imaginação mandar.

Horta em casa

Uma nova fase que se inicia

Oi, tudo bem? Faz um tempão que a gente não se fala e eu estava morrendo de saudades.

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Pra quem ainda não sabia, eu me mudei. Fugi da cidade e vim morar no meio do mato com alguns poucos requintes de civilização. Mesmo depois de algum tempo, ainda estou me acostumando com a internet que vive caindo (essa parte é dolorosa), os sapos querendo entrar em casa a noite, os soins brincando nos cajueiros… a vida aqui tem outra velocidade,  outro sabor e outras cores.

Pra quem morre de saudades dos meus pães, infelizmente vai continuar com saudades. Agora a distância cresceu e tem várias plantinhas precisando da minha atenção e cuidado. Mas não se preocupe, daqui pra frente eu vou começar a compartilhar com você meu dia a dia aqui no sítio e algumas receitas que eu amo de paixão.

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